quarta-feira, 16 de abril de 2014

“Os laços te livrarão!”

«Os laços te livrarão!
Olha a vinha: está amarrada.
Mas vai-se erguendo do chão
Perfeitamente aprumada.»
(WEBER, Dreizehnlinden)

Muitos falam em “livrar o Homem de suas amarras” e, no entanto, permanecem eles próprios bem presos rente ao chão. Pois como pode a semente germinar livre da terra?

Tratam por “correntes opressoras” os laços que nos unem — laços sem os quais seriam irrealizáveis as liberdades verdadeiras: liberdades manifestas por alternativas cogentes entre futuros contingentes, a fim de que a vontade se expresse sobre seu objeto certo, o bem; não por folhas em branco, vácuos perfeitos, arbítrios ilimitados, vazios de ideal. São os laços os caminhos que temos a trilhar. Sem os elos delineados pela sociedade sã, o homem nada escolhe, nada realiza; é vítima das marés.

Bradam aqueles contra todos os valores, e acusam aquilo que sempre houve e sempre foi de “preconceito” e “temerário”. Nada passaria de aleatória convenção: negam a virtude da família, da maternidade, da comunidade e da propriedade. Cherchez l’argent — sigamos o dinheiro — e, todavia, no final do arco-íris do [a]moralismo hodierno encontraremos grandes famílias patriarcais e dinásticas, ciosíssimas de suas heranças e afeitas a seus círculos restritos.

Há quem negue a virtude. Há quem negue o Bem. Há, mais que todos, aqueles que primam por negar o mal. Segundo estes, no mundo, nada é melhor ou pior; tudo é igual. Convidam-nos a assim pensar e assim agir, e por tais parâmetros levar a vida: como charadas na escuridão. Mas eles, não. Eles, quando junto aos seus, não rezam sua filosofia. Desejam aos amigos os inquestionáveis méritos do bom, belo e justo, que então percebem bastante concretos, objetivos, inimitáveis. Insubstituíveis. Aos demais, a novidade e a moda; para eles próprios, a lei natural perene, sólida e inquebrantável.

Cuidado, pois, ao soltar amarras: uma vez deixada a alma ao sabor dos ventos, nunca se sabe para onde a irão soprar. Para o pássaro que toma o ninho por prisão, pior prisão que o ninho há: é não ter onde pousar senão na teia de dona aranha, conselheira devotada e tecelã paciente, que coseu fio após fio enquanto o exortava a saltar.