segunda-feira, 8 de abril de 2013

Farewell, Milady

Margaret Thatcher foi uma dama. Tudo o mais que sobre si se diga é supérfluo, pois foi dama verdadeira. Quiçá a última, no último dos séculos de nosso ciclo civilizacional. Ser uma dama significa incorporar ao íntimo de seu ser valores inegociáveis e princípios caros ao Absoluto. Não transigir no intransigível. Não tolerar o intolerável. Não conceder, nem mesmo ao meio mais vil, que macule a pureza de um coração sincero.

Em tempos de maquiavelismo inconteste, conchavos de gabinete e hipocrisia institucionalizada, Lady Thatcher recordou à Europa e ao mundo a elegância da retidão, a beleza da honestidade e o brilho da liberdade, caracteres indissociáveis de sua biografia e transparentes em suas palavras e gestos.

"Dama de Ferro"? Pois toda dama deveria sê-lo! Apegar-se ferreamente aos nobres valores, sem meios termos! Não se transige sobre o essencial, e toda verdadeira dama é monumento à essência feminina.

Maggie Thatcher, ao resplandecer na ágora dos povos, significou ainda mais. Foi superlativa. Erigiu um monumento à essência do Mundo Livre, como apenas uma verdadeira dama - a última de sua estirpe - poderia auferir.

Aos cavalheiros, atentai! Thatcher partiu, mas seu exemplo de coragem segue a exortar-nos. Contra tudo e contra todos, dois e dois serão sempre quatro; terá sempre o homem direito ao fruto de seu trabalho, ao livre-pensar e à conseqüente busca de sua realização. Defendei essa certeza! Fazei-o com vontade férrea!

Na arena pública ou na vida particular, os sindicatos do erro e os lobbies da acomodação são sempre eficientíssimos em simular maiorias e exercer insuportáveis pressões. Não deixai abalar vossas convicções por maiorias de ocasião, nem por bravatas influentes! Realidades objetivas não dependem do número de seus adeptos. Enquanto houver quem as sustente, seja um único indivíduo frente à turba ou à multidão, o  um valerá pelo infinito. Entre virtudes e falhas tão humanas, sustentai a altivez de ideal. Não temais entrar para a História!

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A baronesa Margaret Hilda Thatcher, premiê britânica de mais longevo governo no século XX (1979 - 1990) e líder do Partido Conservador, faleceu na manhã de hoje, em Londres, aos 87 anos. Seus anos à frente da política britânica não foram perfeitos, mas constituíram farol das possibilidades humanas em direção à liberdade durante época sujeita às rubras sombras do totalitarismo. Na terra natal do socialismo fabiano - a política da dissimulação oficial - Thatcher ascendeu das origens humildes à liderança global sem jamais deixar de reconhecer e de proclamar sua certeza no potencial da sociedade de confiança.

Um comentário:

Afonso disse...

Todos nós deveríamos prestar uma homenagem a Dama Thatcher. Fizestes a tua parte. Parabéns
Afonso Pires Faria