domingo, 31 de outubro de 2010

Quadro pós-eleitoral: Luiz Inácio pariu um monstro

As teses escatológicas estão perigosamente equivocadas quanto ao método, conquanto razoáveis no mérito.

Neste 31 de outubro de 2010, dia das bruxas e véspera de Todos os Santos, Dilma Rousseff venceu a eleição para a Presidência da República Federativa do Brasil. O passado e o pensamento (ou não-pensamento, difícil classificar) desta personagem inventada por Luiz Inácio “Lula” da Silva dispensam apresentações ao público que visita este espaço. É uma mulher de mente perturbada, feito patente de sua gramática caótica e agressividade obsessiva.

É preciso, contudo, desmitificar os dias vindouros. Quem espera um governo imediata e abertamente totalitário interferindo com violência no cotidiano nacional está no século errado. Não se faz mais terror com tanques, mas com ciência e método – um processo ainda incompreensível aos formadores de opinião, que não leram seus teóricos fundamentais alojados entre o pensamento da Escola de Frankfurt e o do pioneiro italiano Antonio Gramsci.

Imaginar tropas nas ruas e fechamento do Congresso é uma tolice que em breve será desmoralizada. Sequer haverá mudanças constitucionais substantivas, porque o Brasil ainda é mais institucionalizado do que Bolívia, Venezuela e Equador. Por que se desgastar quando se tem em mãos a nomeação dos legisladores e dos intérpretes dos textos fundamentais e o emaranhado trabalhista e tributário faz de todos réus face à Receita Federal e à discricionariedade do Ministéiro Público?

Mais eficientes ainda são os militantes nas cátedras e redações. O recurso ao clássico e dissimuladíssimo assassinato político por uma bala na cabeça durante a noite escura, qual feito com Celso Daniel, não passa de uma eventualidade. Há dois mil anos se sabe que o sangue é semente de mártires. O poder joga, hoje, com o assassinato moral. A desmoralização do adversário é conquistada pelo silêncio ensurdecedor sobre o contraditório indesejado e sua substituição pelas discussões internas d’O Partido. O debate que conta passa a ser o da esquerda contra a esquerda, em círculos seguidamente mais restritos.

As boas intenções com as quais se sufocará a liberdade - explorando paulatinamente as divisões internas nas quais o Estado não parecerá intervir e recorrendo a movimentos supostamente espontâneos da sociedade - serão dignas de um Nobel da Paz. Nada se dará de forma escancarada, como se guerrilheiros descessem de Sierra Maestra e dominassem o palácio do governo. Aquela foi a pré-história da política contemporânea.

Tomemos alguns objetos para estudo: não tenho dúvidas de que haverá grande pressão sobre a Igreja Católica após os acontecimentos desta campanha. O PT foi acuado onde menos esperava e está sedento por vingança. Mas a disputa será movimentada desde o próprio clero, pelos tentáculos que há quarenta anos vieram plantados por movimentos socialistas ancestrais do Partido-Estado. Através da divisão exigir-se-ão cabeças de bispos em bandejas e presenciaremos interferência pesada sobre os setores rebeldes da CNBB. Teremos a institucionalização de uma Igreja Católica Apostólica Brasileira, na qual o Papa virá ouvido, mas não escutado. Esta Igreja não terá estatutos, não será anunciado o cisma e a notícia sequer chegará ao Vaticano, menos ainda aos fiéis, mas, na prática, a barca de Pedro estará partida.

No quesito liberdade de expressão e informação, o valor de mercado da Rede Record tende a aumentar e seu modelo será seguido por outras. Projetos de controle da imprensa em nome dos "direitos humanos" retomam fôlego e o patrocínio estatal de focos de guerrilha na comunicação (atentem a expressões simpáticas como “mídia comunitária) será intensificado. A verdade seguirá perdendo espaço para a guerra de versões e a noção de fato sumirá dos cursos de doutrinação em jornalismo, cuja obrigatoriedade tende a ser restabelecida.

Quanto à diplomacia, neste momento regozijam-se ditadores de todo o mundo: o maior país do hemisfério sul continuará servindo como corredor livre ao tráfico das drogas produzidas na Colômbia e na Bolívia e albergando as bases de operação do único cartel internacional sobrevivente, ora monopolista e jamais mencionado em produções hollywoodianas: as FARC.

Em matéria interna, a consolidação do neocoronelismo sobre regiões inteiras do Brasil parece-me o fator determinante. Clãs familiares como o dos Sarney, que decaíram com a institucionalização promovida durante o governo do social-democrata Fernando Henrique Cardoso, agora possuirão meios materiais praticamente inesgotáveis de dominação sobre a população eleitora. Basta que se mantenham úteis ao projeto petista, sob quem não há poder compartilhado, mas gerência subordinada. Tal papel é desempenhado pelas ricas centrais sindicais nas regiões de industrialização avançada.

No mais político dos aspectos, saímo-nos como um país carregado de ódio e de incompreensão quanto aos princípios da convivência democrática e da administração pública - incompreensão esta alimentada pelo atual presidente e futuro Condestável do Reino, o Sr. Luiz Inácio I. É notável que os maiores gastos em publicidade oficial da história republicana sejam empreendidos por um governo que abalou fortemente a noção de nacionalidade brasileira.

A fins práticos, os cinquenta mil homicídios anuais prometem aumentar. Não é profecia, mas tendência estatística. A caminhada da esquerda para a esquerda, seja ela mais lenta ou mais célere, é sempre a estrada para a barbárie. Caracas não se fez cidade mais violenta das Américas por acaso. Sob tais condições, cada vida humana torna-se ainda menos relevante.

A oposição venceu em estados importantes, mas a incapacidade de superar uma candidatura tão precária quanto a de Rousseff, incapacidade devida inteiramente à cobardia que acompanhou a minoria legislativa durante todo o governo Luiz Inácio, informa que uma oposição institucional não é o caminho.

Está na hora de partirmos para a oposição civil organizada, que precisa começar JÁ. Oposição nos moldes do Tea Party americano e do Hazte Oir espanhol. Confiram o exemplo clicando aqui e assistindo ao vídeo. Seria o caso de montar piquetes como aquele em frente à casa da presidente eleita. Seria o caso de chamar milhares de cristãos à posse desta soberba ladra e abortista e bradar – com toda a razão que nos confere a verdade – “Assassina!” a cada volta da comitiva presidencial.

O quadro pós-eleitoral que se desenha é difícil, mas o Partido dos Tiranos não conquistou todo o poder que desejava. Tentará comprá-lo, e não lhe faltarão recursos para tanto. Nossa consciência é uma arma com a qual o Novo Regime não conta. Passemos a usá-la, AGORA.

Que Deus tenha piedade de nós.

Christe, eleison!

Kyrie, eleison!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ó insensatos católicos! Quem vos enfeitiçou?

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, ora pro nobis!
São Pedro de Alcântara, padroeiro deste país e de sua família imperial, ora pro nobis!
São Pio X, pontífice cuja voz jamais se calou face aos descalabros do mundo moderno, ora pro nobis!

Abaixo segue tradução de minha lavra para texto oportuníssimo. Originalmente escrito como orientação de um pároco católico em San Diego, California a seus fiéis, foi editado pelo site americano Courageous Priest e reproduzido pelo Catholic Tide. Nele, o padre trata com incomum capacidade de síntese e necessária veemência as eleições legislativas que terão lugar naquele país em novembro próximo.

Dias antes, porém, teremos nós também um plebiscito a respeito de dois caminhos a trilhar. Um deles, a despeito de qualquer exame de mérito subsequente, está marcado desde já pela mentira e pelo engano deliberado. A meu ver, aquilo que os divide são temas perfeitamente análogos aos abordados pelo sacerdote americano. Um chamado alto e forte a todos os cristãos do ocidente.

A mensagem é entitulada por uma paráfrase do vocativo empregado por Paulo aos gálatas, povo da Anatólia central (atual Turquia) no capítulo 3 da homônima carta, parte do Novo Testamento.

Leonardo Faccioni

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“Ó insensatos Católicos, quem vos enfeitiçou?”

Eleitor Católico! Tu tomarás o caminho do mal

Ou o Caminho da Vida?

Pelo Pe. Richard Perozich (escrito para o Church Bulletin) – As eleições serão em 2 de Novembro¹ de 2010. Católicos precisam engajar-se no processo político para formar uma nação que reflita os valores sustentados pelos seguidores de Cristo.

Aprendei quem sois e agi como Cristãos

I Pedro 2:9 - “Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa.”

Vosso trabalho é anunciar a todo o mundo que Jesus é o Rei ungido do reino eterno de Deus e oferecer a todos os homens a Sua salvação concedida pela graça e recebida pela fé.

Um foro no qual o fazeis é a política. Política vem das palavras pólo e polaridade. Pólos são fins opostos de uma idéia, de uma estrutura temporal, ou de uma força.

Católicos possuem um chamado mais alto

Católicos, ainda que vivamos em um país e deste sejamos cidadãos, temos um chamado mais alto e responsabilidade para com Deus e para com nossos vizinhos de promover as verdades divinas mesmo quando outros as detestem, rejeitem-nas e nos odeiem por proclamá-las.

Nós somos cidadãos em um reino terreno, mas, mais importante, somos cidadãos de um novo Reino dos Céus com Jesus como Senhor, Suas leis como nosso modo de vida primordial e somos chamados a vivê-las e a promovê-las mesmo entre os incrédulos.

Nós vivemos em uma sociedade na qual muitas pessoas com poder, posses e prestígio estão promovendo idéias que não são fundadas em Cristo.

A fim de promover suas idéias entre nós, eles nos dizem que devemos nos restringir a nossas igrejas, manter nossa religião para nós mesmos, e que seu conceito de separação entre Igreja e Estado (que não existe em nossa Constituição da forma em que eles alegam) derroga qualquer idéia que possamos ter, de sorte que devamos calar a boca. E os Católicos, como ovelhas, mantêm o silêncio e votam em homens e mulheres que propagam o Mal.

No capítulo 3 de Gálatas, São Paulo, frustrado por estes permitirem que os infiéis calassem a verdade ao ponto de os próprios gálatas voltarem ao paganismo e aos maus costumes, censura-os dizendo “Ó insensatos gálatas, quem vos enfeitiçou?”.

”Ó insensatos Católicos! Quem vos enfeitiçou?”

Isto pode ser dito de nós, na América², neste ano de 2010. “Ó insensatos Católicos, quem vos enfeitiçou?”. Nós facilmente assimilamos idéias pagãs, deixando de lado nossa fé, nossa verdade, a fim de tolerar o mal de pessoas que não nos tolerarão! Para promover suas idéias, eles nos atacam pessoalmente chamando-nos de “extrema-direita”, “ultraconservadores”, fanáticos, homofóbicos, pregadores do ódio, “holy rollers” e outros epítetos. Isto silencia a muitos Católicos. Isso apenas me encoraja, e deveria encorajar-vos todos a promover a vossa fé.

Nas batalhas políticas, nem todos os lados podem vencer. Ou será o caminho do Mal, ou o caminho da Verdade. Deveis engajar-vos nelas como um embaixador de Cristo e não como um agente do demônio.

Deus é vida. Jesus é Rei. Os cristãos são cidadãos do reino compartilhando em vida a missão de Deus para promovê-la constantemente e em cada fórum.

As pessoas estão mais preocupadas com seu poder aquisitivo, com subsistir, com economizar. Seu maior medo é perder isso, evidente de como votaram em 2006 e em 2008.

Nossa maior preocupação deveria ser a vida

Para os Cristãos, nossa maior preocupação deveria ser com a vida, e votarmos naqueles que a promovam. Vocês já ouviram o mantra, “Eu sou um conservador em economia, mas liberal nos costumes”. Não faz sentido. As responsabilidades sociais vêm primeiro, e de uma sociedade sadia alicerçada nos princípios bíblicos afluem as preocupações econômicas.

Em uma economia saudável haverá gente rica. Eu, que ganho vinte mil dólares ao ano³, não invejo suas riquezas, seus lares, seu poder de moldar a economia. As pessoas que os americanos colocaram no poder em 2006 e em 20084 INVEJAM-NOS, e estão usando a economia para rasgar todo o tecido social promovendo o aborto aqui em nosso país e além-fronteiras; para matar a nova vida e os embriões; para matar os idosos e doentes; para destruir a natureza dos gêneros e do casamento; para permitir a pessoas sexualmente imaturas que sejam predadoras de outras ao tentar satisfazer sua falta de desenvolvimento psicológico.

Eis as questões fundamentais

Para nós Católicos as questões fundamentais são: Vida desde a concepção até a morte natural, isto é, a proteção ao nascituro, aos que vivem e aos doentes; proteção das novas vidas em sua mais vívida forma, o embrião; proteção contra a clonagem para extração de partes corporais; proteção contra desvios sexuais em forma de pederastia, homossexualismo, adultério, fornicação, prostituição.

Uma elite assumiu o poder nos Estados Unidos, transcendendo partidos políticos. Eles alegam saber mais do que o povo ao qual representam. Eles não sabem. Seu interesse é manter suas posições, com as quais ganham mais de duzentos mil dólares com um plano de saúde que não é como aquele aprovado para o resto de nós. Eles planejam a destruição das Forças Armadas, silenciar as Igrejas e as vozes livres, a destruição de crianças e embriões. Eles simplesmente não podem permanecer no poder. Eu votei em alguns deles apesar de suas políticas dúbias.

Agora basta!

Mas basta! Eu me recuso a dar meu voto para qualquer um que apóie o aborto, a intromissão da confusão sexual nas Forças Armadas, no casamento, nos currículos escolares ou em qualquer outro aspecto social, clonagem, pesquisa em células-tronco embrionárias ou eutanásia.

Uma plataforma precisa ser erguida!

Eu sou Católico. Sou um cidadão do Reino de Deus e promoverei aquele reino em cada aspecto de minha vida.

Para vós, políticos que promoveis valores não-Católicos, eu não votarei para vós até que vossos oponentes assumam o governo.

Se vós não me representais, vós não tendes meu voto. Não quero vossas verbas governamentais. Não quero vossas idéias de igualdade, equilíbrio e justiça. Não quero vossos tratamentos de saúde. Não sou uma prostituta que vende meu voto por benefícios temporais.

Estou checando vosso histórico de votos através de várias organizações que os monitoram. Se vós não promoveis a vida desde o momento da concepção até a morte natural, a castidade e as identidades sexuais, o casamento tradicional e o respeito pelos embriões na ciência, então não tereis o meu voto. Vós não cabeis no serviço público. Professores que seguem como ovelhas seus sindicatos corruptos não pertencem às salas de aula. Sacerdotes que seguem ensinamentos não-Cristãos não pertencem aos púlpitos.

Verdadeira mudança!

Minha esperança repousa em Jesus Cristo e Sua salvação exatamente CONTRA as mesmíssimas coisas que esses políticos estão promovendo. Mudança é o arrependimento dos pecados, a conversão para Deus e a reparação do dano ao seguir os Mandamentos sem os relativizar.

Esperança e mudança não vieram em 2008. Vou fazer a minha parte para vê-las em 2010.


Pe. Richard Perozich


Edição original americana por www.courageouspriest.com

¹eleições legislativas nos Estados Unidos. As eleições presidenciais brasileiras terão lugar no dia 31 de outubro. NT.

² e no Brasil. NT.

³ valor módico para os padrões de vida americanos. NT.

4 e os brasileiros, em 2002 e em 2006. NT.

Lá e de volta outra vez

"Va, pensiero, sull'ali dorate; va, ti posa sui clivi, sui colli ove olezzano, tepide e molli, l'aure dolci del suolo natal!"

Retornado da Itália após um ano entre as mais antigas e prestigiosas universidades da cristandade, desembarquei nesta Terra de Santa Cruz quando as locomotivas eleitorais atingiam seu pleno vapor. Durante parte desse período estive ativo em uma outra mídia, o revolucionário microblog Twitter (www.twitter.com/LFaccioni), que nos permite tratar das atualidades em pinceladas cooperativas, sem a exigência de que aprofundemos sós as teses esboçadas - aprofundamentos os quais, pela contingência do tempo e pela desesperança que o ambiente intelectual brasileiro me inflige, eu cada vez menos me disponho a dar.

O importante neste brevíssimo post - pelo qual, aviso já, não indico pretensão alguma de seguir com atualizações periódicas, senão no ritmo das necessidades prementes - é deixar claro a todos os que porventura ainda não tenham tido a oportunidade de escapar às amarras da mediocritas tupiniquim: há vida inteligente no mundo contemporâneo. Procurem-na com afinco. Tenham esperança e, mais que tudo, tenham fé.

E por falar em fé: um de meus objetivos no Velho Mundo passava por estudar a situação da Igreja Católica face às potências ideológicas da pós-modernidade. Não entrarei em detalhes por ora, mas lhes garanto que, apesar da Igreja brasileira - ou da caxiense, que Igreja não é - o Magistério segue tão vibrante e essencial quanto nunca, mesmo que as coisas não estejam fáceis em parte alguma - não estão fáceis, mas, lá, os cristãos são a solução, não o problema.

Pro veritas et pro Ecclesia!