terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Consumismo: o novo fetiche do governo

O sorriso natalino de Lula pode significar anos funestos para o Brasil.
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Entre as várias expressões da crise financeira, uma é sobremaneira curiosa. Impagável, nas festas de dezembro, observar os prelados petistas do anticapitalismo a implorar que gastemos, invistamos, façamos circular a “roda da economia” – existe até propaganda em rádio e TV dedicada ao tema. Há não muito, tais vozes condenavam o “consumismo” e o “materialismo” (no vocabulário da esquerda pseudocatólica, materialismo designa desenvolvimento econômico, não o materialismo histórico, o qual seguem sem se aperceberem da contradição). Que se passou?

Trata-se do instrumental keynesiano em prática. São Lula, nosso ungido, convenceu-se de que a oferta de crédito desregrado, com conseqüente expansão da demanda, constitui a chave-mestra contra toda e qualquer ameaça deflacionária, empenhando nessa fé os seus ministérios. Para não variar, o governo está errado. Assim conclui, ao menos, a escola austríaca de economia.

Atente-se para o modo pelo qual o histriônico presidente brasileiro, nos intervalos entre palavrões e virulências contra sua já tímida oposição, busca transferir a responsabilidade pela desaceleração econômica a uma virtude privada: a poupança. O apelo ao gasto desmedido – bem como o exemplo estatal, sempre disposto a esbanjar o recurso alheio – criminaliza o pensamento previdente. Não estivéssemos em pleno triunfo retórico de John Maynard Keynes, alguém atentaria para a ilogicidade desse arroubo pró-mercadoria (jamais pró-mercado, logo se demonstrará o porquê).

De Smith a Mises, muitos reviram-se em seus túmulos. Quem explica é o economista e professor americano Roger Garrison. Ele desenvolveu uma muito didática apresentação em Power Point acerca da teoria dos triângulos hayekianos, disponibilizada online pelo Instituto Ludwig Von Mises.

Conforme ensina, a interferência estatal sobre indicadores de mercado, tais como a taxa de juros, impede a alocação natural dos recursos privados entre o consumo de produtos finais e o investimento. Uma vez que os agentes deixam de poupar (i.e. de fomentar os níveis de investimento), a economia cresce menos do que lhe seria natural. Pior, com os indicadores maquiados pelo crédito fabricado nas burocracias, os investidores alocam seus haveres em miragens, cujo desaparecimento conduzirá a recessões e depressões. Em suma, a euforia estatal de hoje nos brindará com a concordata de amanhã.

O raciocínio de Garrison, sendo lógico, prepondera sobre os usos e costumes do economiquês presente em certos momentos da explanação; recomendo a leitura a todos, portanto, e quem se sentir perdido, que não se acanhe com as fórmulas e prossiga em busca do contexto:

http://www.mises.org.br/files/RogerGarrison.ppt
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Um comentário:

Matheus Pacini disse...

Leonardo, boa tarde!
Fantástico são os teus textos! Continue com esta atividade gratificante que é a publicação de artigos nos blogs!

Gostaria de te pedir um favor: terias como escrever um artigo sobre reforma do judiciário para o Economia Prática?

Um grande abraço!
Feliz 2009!